A franquia de Pokémon, ao contrário do que muitos acreditam, nasceu no mundo dos games, através dos jogos Pokémon Red e Pokémon Green para Gameboy, em 1996 no Japão. Quando chegou ao ocidente, em 1998, os jogos vieram nas versões ‘Red’ e ‘Blue’ – a ‘Green’ só existia em japonês.

O desenho que a maioria conhece – protagonizando Ash Ketchum – veio apenas depois, tendo os jogos como inspiração, mas não sendo uma representação fiel à história. Com a fama do desenho, por sua vez surgiu o quarto jogo da franquia: Pokémon Yellow, no qual o jogador não pode escolher nenhum dos três pokémons iniciais (Charmander, Squirtle ou Bulbasaur) e é “forçado” a começar sua jornada com um Pikachu que nunca entra na pokébola.

A história, tanto dos jogos quanto dos animes, resume-se em um garoto (ou garota, a partir da versão ‘Crystal’) que acabara de completar seus 10 anos de idade e está decidido a se tornar um mestre pokémon, viajando pelo mundo em busca de conhecer e capturar todos pokémons do mundo e vencer os ginásios e ligas de cada região.

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[Gráficos : ♦♦♦♦◊ 4,5]

Para a época, Pokémon tinha gráficos muito bem trabalhados. Todo o jogo era feito em pixelart e preto-e-branco (pois o Game Boy Color ainda estava para ser lançado). É possível notar que houve muita dedicação no visual do jogo, uma vez que o nível de detalhamento nos personagens e monstrinhos eram muito bacanas – o que não se via naturalmente nos demais jogos de Game Boy. Os efeitos de batalha, por mais simples que fossem, também eram riquíssimos em expressar exatamente aquilo  que deveria acontecer. O golpe Gust, por exemplo, faz surgir um pequeno tornado que se move em zigue-zague até o oponente, enquanto que Scratch realmente lhe dá a sensação de um corte/rasgo com garras. Mesmo olhando hoje em dia, ainda dá para se impressionar com o capricho do jogo (arrisco dizer até que fica à frente de vários jogos de pixelart atuais).

Uma curiosidade dos gráficos é justamente relacionada às cores do jogo. “Ué, mas você disse que era preto-e-branco! Tá alí no começo, ó. Já esqueceu, velho gagá?!” Caaalma, caaalma, jovem gafanhoto. Lembre-se que as versões americanas Red & Blue foram lançadas em 1998, curiosamente no mesmo ano que o Game Boy Color. Embora tenham sido lançadas em preto-e-branco para o Game Boy tradicional, os desenvolvedores fizeram alguns upgrades visuais e deram um passo adiante, inserindo uma “compatibilidade” com o GBC. Os nomes das cidades do jogo são nomes de cores reais (Viridian, Pewter, Cerulean, etc). Jogando Pokémon no GBC, ele não fica todo colorido, mas a tonalidade da tela muda conforme a região em que você está. Por exemplo: em Pewter, o mundo fica meio acinzentado; já em Viridian, o mundo fica num tom esverdeado; e assim por diante.

[Jogabilidade : ♦♦♦♦♦ 5,0]

Em 1996/98, Pokémon chegou chegando com seu jogabilidade fantástica! Ele segue sim o convencional de qualquer RPG (aventurar-se no mundo, formar uma equipe e ficar forte; batalhas por turno, puzzles etc), mas ele introduziu um mundo muito interessante, principalmente para as crianças. Seu grupo pode ser formado por até seis bichos cheios de poderes e qualidades distintas, mas para tê-los é preciso encontrá-los e capturá-los pelo mundo (muito diferente dos personagens simplesmente entrarem no seu time conforme você progride pela história). Com um leque de 151 pokémons, isso abre espaço para que você tenha seus preferidos e forme uma equipe conforme desejar – ou até mesmos umas equipes.

Mas o jogo não se resume apenas a “brigas de galo.” Há também vários puzzles a resolver – não muito complexos, porém interessantes – que exigem eventualmente que você volte a uma determinada região, tenha um golpe específico em um de seus pokémons ou algum item.

Talvez a parte mais impressionante dos jogos de Pokémon era o famoso cabo link – um cabo que permitia conectar dois Game Boys um ao outro. Em Pokémon, utilizando esse tal cabo link, você podia se conectar a um amigo e batalhar contra o time de pokémons dele. Além, também, de poder trocar pokémons entre um jogo e outro, um recurso que era necessário se quisesse obter todos os pokémons, uma vez que a existência de duas versões diferentes do mesmo jogo não era por mero capricho. A versão Red tem pokémons espalhados no mundo para capturar que não estão disponíveis na versão Blue, e vice-versa. Então, para obter todos os pokémons, era preciso capturar um bicho em uma versão e transferir para a outra! Não só isso, alguns pokémons – magicamente – só evoluíam para sua forma final após o processo de troca (que era o caso de evoluir um Graveler para Golem). Basicamente: um álbum de figurinhas eletrônico, jogável e muito divertido!

[História : ♦♦◊◊◊ 2,0]

Haters gonna hate, mas Pokémon tem uma história beeeem fraquinha. Gira em torno de uma criança de 10 anos que sai de casa para se aventurar no mundo sozinho para capturar pokémons e se meter em várias batalhas. Sua mãe? Ela caga pra você e te deixa ir. Na verdade, eu acho até que ela está agradecida que você vai embora, porque agora ela não precisa mais dormir no chão da sala. Então você vai, captura todos os pokémons, vence a liga, e…? E nada, é só isso.

Claro, o jogo tem sim um contexto no decorrer da aventura, como as aparições da Equipe Rocket e tals, mas também se não tivesse não faria muita diferença. Felizmente isso não coloca a série Pokémon para baixo, pois o forte mesmo do jogo é a sua jogabilidade e originalidade.

[Som & Música : ♦♦♦♦♦ 5,0]

Masterpiecce! Pronto, fim.

Brinks! Cada detalhe que se pode dizer importante para fazer o jogador imergir no jogo é sonorizado. Claro que  há aqueles barulhinhos que irritam, ou outros que são muito repetitivos e cansam, mas em geral Pokémon apresenta um átimo arranjo de efeitos sonoros e música.

A trilha sonora do jogo é maravilhosa e bastante imersiva. As músicas levam o jogador ao ambiente em que se encontra o personagem com precisão, seja uma cidade, casa ou durante uma batalha. Efeitos sonoros são, além de diversos, muito bem colocados, fazendo uma parceria perfeita com os gráficos a ponto de transformar um efeito visual em algo majestoso.


Legenda:
Notas variam de 0 a 5, sendo:

  • 0 = “Pelo amor de deus, que bosta é essa?!”;
  • 1 = “Muito ruim”;
  • 2 = “Ruim”;
  • 3 = “Ok/Bom/Irrelevante/Aceitável”;
  • 4 = “Legal / Muito bom”;
  • 5 = “Admirável “;

⇒ Vale lembrar que as notas servem apenas como “rótulo.” Uma nota 5, por exemplo, não é sinônimo de perfeição. A análise de uma categoria não é individual. Leva-se em consideração plataforma, temática, enredo etc.

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